Vegetalícias: Saúde no prato

«Por cada dia que passava, igual ao anterior, sem respostas a candidaturas, sem anúncios ajustados ao seu perfil, para Anabela Cristos, 54 anos, tornava-se claro que a solução para o desemprego de longa duração não surgiria do mercado de trabalho. Se era considerada imprópria “por causa da idade”, havia que canalizar a energia que sentia e tudo o que sabia para a criação do seu próprio posto de trabalho. Foi o que fez.

Em Junho, a Vegetalícias surgiu no mapa da oferta gastronómica, propondo pôr à mesa dos lisboetas comida “vegetariana, saudável, anti-alérgica, com menus para celíacos e alérgicos à proteína do leite, por exemplo, e maioritariamente biológica.”

Com um percurso profissional de 35 anos na área administrativa em vários sectores – da indústria à banca, passando pelo turismo e o imobiliário -, esta licenciada em Línguas e Literaturas Modernas conta que criar a empresa e a marca Vegetalícias é, mais do que uma necessidade, um “projecto do coração”. Há muito que a cozinha vegetariana faz parte da vida de Anabela Cristos graças ao filho, vegetariano convicto há quase duas décadas e responsável por uma revolução culinária em casa.

A empreendedora começou como autodidata, adaptando receitas tradicionais portuguesas aos ingredientes vegetarianos. Depois, mãe e filho, juntos ao fogão e à mesa, deram novos ingredientes, sabores e texturas a conhecer ao seu paladar. Fora de portas, coleccionaram cursos, hoje úteis na empresa que opera nas vertentes de confecção, comercialização e formação, com o objectivo de destruir o preconceito de que comer saudável é sinónimo de uma alimentação sensaborona.

vegetalicias-JN

Empreendedorismo no feminino 

O arranque do projecto só foi possível com a antecipação das prestações do subsídio de desemprego tendo Anabela Cristos contado, também, com o apoio do programa Mulher Mais, dirigido ao empreendedorismo feminino. Ajudaram-na a concretizar a ideia do projecto, a elaborar o plano de negócios e atribuíram-lhe um prémio de cinco mil euros após o início de actividade. Para arrancar, precisou de cerca de 10 mil euros, utilizados, sobretudo, na aquisição de equipamento.

Por enquanto em instalações cedidas por parceiros – Cores do Globo, Grémio do Carmo, Geraldine, Nouvelle Tasquinha Avé Maria e outros – Anabela Cristos trabalha na confecção e na realização de “workshops”. Ainda no segundo semestre deste ano, espera alcançar um volume de negócios da ordem dos 50 mil euros valor que prevê triplicar até final de 2013 e, então, abrir um espaço próprio, criando mais três postos de trabalho.

Só para vegetarianos? Nem pensar 

As “paellas” vegetarianas ou o creme de leite nascidos das mãos de Anabela Cristos só podem, por enquanto, chegar às mesas da grande Lisboa e a empreendedora afirma que aposta fortemente nos “outros”, os não vegetarianos que procuram “alternativas para uma alimentação mais saudável”.

Um dos objectivos da empreendedora é o de “desenvolver os conceitos de ‘home cooking’ e ‘personal chef'”, o que significa fazer cozinha ao domicílio em eventos especiais mas, também, para o dia-a-dia. Algo que, sublinha, “não sendo conceitos totalmente inéditos são ainda pouco utilizados em Portugal”. Ainda menos habitual no país é existir oferta focada nas necessidades especiais, intolerâncias alimentares por exemplo, sendo esta uma das vertentes da Vegetalícias.

A ideia é a de desenvolver linhas de produtos a pensar nestas pessoas desobrigando-as de terem de cozinhar para elas próprias ou para os filhos. Ideias para novos conceitos e receitas que foram fruto do seu percurso recente marcado pelo voluntariado e pelo contacto com pessoas e realidades que, antes, nem sabia que existiam.

Bilhete de identidade 

Nome: Vegetalícias – Delícias Vegetarianas

Início de Actividade: Junho de 2012

Actividade: Confecção, comercialização e formação

Localização: Lisboa

Contactos www.vegetalicias.com

Espíritos empreendedores não são alimentados 

Até abrir o seu ambicionado espaço Vegetalícias, Anabela Cristos sabe que conta com vários obstáculos. São os casos das rendas dos espaços que, apesar da crise, continuam “estupidamente altas” e os “trespasses absurdos”. A empreendedora releva, ainda, como “desmobilizador” dos espíritos empreendedores “a falta de períodos de isenção de impostos que deveriam existir para quem não quer viver de subsídios e arrisca tudo o que tem”. Fala por si. Lamenta ainda que, a par da falta de incentivos, “quem arrisca tem de pagar contribuições ao Estado e à Segurança Social quer ganhe zero ou mil, com a agravante de não haver direito a nada caso as coisas não resultem conforme o esperado”.»

in Jornal de Negócios, Canal Empresas PME, 06-06-2012.

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